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Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”

Comunicadores e fotógrafos Indígenas de todo o mundo participaram do concurso “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas” com o objetivo de enaltecer as mensagens e as histórias das suas comunidades.

Cidade do Panamá, Panamá. Depois de uma exitosa convocatória global e do árduo trabalho do júri – integrado por seis fotógrafos Indígenas profissionais provenientes do Brasil, México, Malásia, Bolívia, Gabão e Indonésia, apresentamos as fotografias ganhadoras do concurso.

O concurso de fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas” convocou pessoas de comunidades Indígenas de todo o mundo, para que enviassem fotografias originais que apresentem a visão, a história e os conhecimentos dos seus povos.

O júri integrado por Sara Aliaga Ticona (Bolivia), Yannis Davy Guibinga (Gabão), Michael Eko (Indonesia), Luvia Lazo (México), Flanegan Bainon (Malasia) y Priscila Tapajowara (Brasil), selecionou três imagens ganhadoras para cada uma das categorias contempladas nos Términos e Condições do Concurso.

A seleção final de fotografias respondeu a uma série de parâmetros técnicos somados aos critérios de criatividade, pertencimento e coerência com a categoria selecionada.

A continuação detalhamos as fotografias ganhadoras por categoria.

Inovação e Mudança Climática

A fotografia ganhadora do primeiro lugar foi a imagem titulada “The last breath” (O último suspiro) de Kevin Ochieng Onyango do povo Luo do Quênia. 

Um menino do povo Luo do Quênia usando uma máscara de oxigênio conectada a uma planta para representar a importância das florestas diante da crise climática. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: O último suspiro. Autor: Kevin Ocheng

Kevin escreveu: “Esse projeto é simbólico para demonstrar a importância das árvores no nosso ecossistema e o papel que elas desempenham na luta contra a mudança climática. Ao crescer, as árvores ajudam a frear a mudança climática eliminando o dióxido de carbono do ar, armazenando o carbono das árvores e do solo, e liberando oxigênio à atmosfera. Este projeto instiga a mensagem da conservação e fomenta o reflorestamento”. 

O povo Luo está localizado em uma zona que abarca o Sudão do Sul, Etiópia, o norte da Uganda, a zona leste do Congo, o oeste do Quênia e o extremo norte da Tanzânia. 

Os Luo, assim como outros Povos Indígenas do Quênia enfrentam uma série de problemas derivados da crise climática como as secas e as pragas que colocam em perigo os cultivos e a segurança alimentar das comunidades e do país. 


A fotografia intitulada “Pescador Kapanawa” (Pescador Kapanawa) de Patrick Murayari do povo Kukama do Peru foi a ganhadora do segundo lugar.

Jovens indígenas do povo Kapanawa do Peru pescando no rio com canoa e redes tradicionais. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Pescador Kapanawa. Autor: Patrick Murayar

“Ao anoitecer, equipados com “tarrafas” (redes) ou anzóis, os homens da comunidade nativa de Fátima, pertencentes ao Povo Kapanawa, se dirigem à lagoa situada a cinco minutos da comunidade, com o fim de conseguir algum peixe para o jantar. Eles só pescam para o seu próprio consumo. Desse modo, garantem a sustentabilidade deste recurso”, escreveu Patrick.


O povo Kukama está localizado principalmente no departamento amazônico de Loreto no Peru. 

Segundo os dados publicados pela Base de Dados de Povos Indígenas do Peru, desenvolvida pelo Ministério da Cultura, os Kukama possuem uma tradição ancestral de pesca e tem desenvolvido uma série de ferramentas e técnicas específicas derivadas da sua interação com o ecossistema, é por isso que as comunidades Indígenas e não indígenas do setor as denominaram “os grandes pescadores de Loreto”

A fotografia ganhadora do terceiro lugar foi a imagem intitulada  “La esperanza de seguir viviendo” (A esperança em seguir vivendo) de Alcibiades Rodríguez, do povo Guna do Panamá.

Foto aérea de uma das ilhas que compõem o território do povo Guna do Panamá "Guna Yala". 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: A esperança de continuar a viver. 
Autor: Alcibiades Rodríguez

Alcibiades descreveu “A esperança de continuar a viver em um território conservado e tradicional, cheio de legacias e lutas, que permanece contra a mudança climática”.


O povo Guna se encontra na Colômbia e no Panamá. Os Guna são habitantes originários da selva continental, mas há mais de 120 anos migraram para a costa – para fugir da malária e da febre amarela- e fundaram a Comarca Guna Yala no Panamá. 

A comarca abarca uma estreita faixa continental e um arquipélago de 365 ilhas. Pela sua localização os Guna são considerados o povo mais vulnerável aos impactos da mudança climática e da contaminação marítima. 

Segundo dados das Nações Unidas, se considera que os Guna serão o primeiro Povo Indígena deslocado pelo aumento do nível do mar devido ao aquecimento global.


Florestas e Povos Indígenas

A fotografia ganhadora do primeiro lugar foi a imagem intitulada “Abuelo” (Avô) de Venancio Velasco González de San Pablo Yaganiza no México.
A imagem mostra o retrato de um homem no bosque acompanhado do seu cavalo indo plantar uma milpa.

Velho indígena do México na floresta com seu cavalo a caminho de plantar Milpa. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Avô. 
Autor: Venâncio Velasco González

Venancio compartilha a história da fotografia “Quero lhes contar um pouco sobre o meu avô, ele tem 82 anos e dedicou toda a sua vida ao campo. Cada vez que eu lembro dele vem à minha memória uma cena de como ele é. Caminhando pela neblina com o seu cavalo, indo plantar ou colher lenha, dessa vez eu acompanhei ele para plantar “Milpa” e foi inevitável não lembrar de uma parte da minha infância e da primeira vez que eu o acompanhei  ao campo com a mesma paisagem.”


San Pablo Yaganiza é um pequeno povoado situado no Estado de Oaxaca. De acordo com os dados do último censo 99, 64% da população é Indígena e 93,31% dos habitantes fala alguma língua Indígena.

A fotografia intitulada “La danza del venado” (A Dança do veado) de Nazario Tiul Choc do povo Maya Qechi da Guatemala foi a ganhadora do segundo lugar.

Grupo de indígenas da Cooperativa Unión Maya Itza de Guatamela realizando o ritual da Dança do Cervo com roupas tradicionais. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: A Dança do Veado. Autor: Nazario Tiul Choc

Nas palavras de Nazario “A dança do veado, um ritual de caça, tem a sua origem no período clássico Maya. É a representação da guerra entre caçadores e animais selvagens disputando a carne de veado como comida. Performatizado anualmente na Cooperativa Unión Maya Itza em que participam crianças e adultos, essa é a parte da celebração do retorno do México para a Guatemala 27 anos atrás, devido aos problemas de conflito armado na Guatemala.”


A fotografia ganhadora do terceiro lugar foi a imagem intitulada “Dayak Kebhan Children” (Crianças Dayak Kebhan) de Victor Fidelis Sentosa da Indonésia.

A fotografia mostra uma criança da tribu Dayak Kebahatn brincando no rio.  

Criança do povo Dayak Kebhan da Indonésia brincando no rio. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Dayak Kebhan Children. Autor: Victor Fidelis Sentosa

A palavra Dayak ou Dyak é um termo utilizado para distinguir mais de 200 grupos Indígenas que habitam principalmente as zonas costeiras da Malásia, Indonésia e Brunéi. Se bem o termo Dayak foi cunhado durante a colonização, os Povos Indígenas o adotaram como parte dos seus processos de resistência e identidade. Apesar de guardarem o mesmo nome,  cada comunidade tem o seu próprio idioma, território e cultura. Segundo algumas estimativas, existem aproximadamente 450 grupos etnolinguísticos Dayak que vivem em Borneo.

Atualmente, a maior parte dos Dayaks vivem de forma tradicional em pequenas aldeias costeiras e a pesca é a principal atividade econômica e de subsistência. 



Jovens Indígenas

A fotografia ganhadora do primeiro lugar foi a imagem intitulada “Oloburgandiwar” de Aylin Alba do povo Guna do Panamá.

Mulher indígena do povo Guna do Panamá no rio realizando um ritual para se conectar com os espíritos de seus ancestrais. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Oloubingun Tigwar. Autor: Aylin Alba

Aylin compartilha a história atrás da fotografia “Os nossos avós contam que quando nós morremos nós vamos embora através do grande rio, é por isso que como Povos Indígenas sabemos a importância da água, da natureza, uma vez que o nosso burba (espírito) se banhará e navegará no rio para se reunir com os nossos ancestrais.”



A fotografia intitulada “Hijos de la tierra” (Filhos da terra) de Alexander Pérez Ventura do povo Maya Mam da Guatemala foi a ganhadora do segundo lugar.

Jovem indígena do Povo Quiché Maya da Guatemala ao lado de uma fonte de água com oferendas em agradecimento à natureza. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Filhos da terra. 
Autor: Alexander Pérez Ventura

Alexander descreve a sua fotografia: “Ana Francisca Dominguez pertence ao Povo Maya Quiché da Guatemala.Na sua família todos se dedicam à música ancestral. Com propósitos de agradecimento e bênçãos de tudo que a Mãe Terra os oferece.  Na cultura maya existem quatro elementos que são essenciais para o o ser humano e que ao mesmo tempo são parte deles. Cada elemento tem um coração; água, ar, sol e terra. Sem esses elementos não somos nada, é por isso que nós nos consideramos filhos da terra.


O Povo Quiché agradece pela água, e frequentemente levam presentes às nascentes dos rios. Esses presentes são principalmente: música, flores e velas. No dia 24 de junho cada Povo abençoa o coração da terra pela água”.

A fotografia ganhadora do terceiro lugar foi a imagem intitulada “Pusaka” de Prince Loyd C. Besorio do povo Obu Manuvu das Filipinas.

Jovem indígena da tribo Obu Manuvu da Indonésia segurando um chifre para chamar Pusaka, ela é o espírito da floresta. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da fotografia: Pusaka. 
Autor: Príncipe Loyd C. Besorio

Prince escreve “A tribu Obu Manuvu acredita fortemente na cosmologia Pusaka, uma prática tradicional de conservação da biodiversidade onde eles consagram e declaram entidades, vivas e não-vivas como sagradas e invioláveis por causa do seu apego emocional. Nas áreas onde a Águia Filipina e outros animais e árvores Pusaka são encontradas há guardiões específicos que portam cornetas como um meio de se comunicar com outros guardiões da floresta.”


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Concurso de Fotografia Soluções Inovadoras Indígenas

Nós sabemos que a melhor maneira de defender os direitos e promover soluções criadas pelos Povos Indígenas é possibilitar que os Povos Indígenas comuniquem suas perspectivas, com suas palavras e imagens.

Concurso de Fotografía FSC IF

Nós queremos encorajar comunicadores indígenas e fotógrafos a contar suas histórias, as de suas comunidades e culturas através da fotografia.

É por esta razão que hoje estamos lançando o nosso Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras Indígenas”, para aprender mais sobre suas realidades, problemas, propostas e soluções inovadoras para que  defendam seus direitos e possam gerir seus territórios.  que busca conhecer melhor suas realidades, problemas, propostas e soluções inovadoras para defender seus direitos e gerir seus territórios e proteger a Mãe Terra.

A FSC-IF é uma organização global criada pelos e para os Povos Indígenas que busca fornecer soluções de longo-prazo que apoiem as Comunidades Indígenas do mundo.  A nossa missão é de co-criar soluções indígenas baseadas na natureza juntamente com os Povos Indígenas ao redor do mundo. Nós focamos em promover os direitos dos Povos Indígenas, o auto-desenvolvimento holístico e a auto-suficiência. 

Integre a nossa rede de storytellers visuais e participe deste concurso após checar os Termos e Condições.

Para questões e perguntas favor contatar:

Mary Donovan, Representante de Comunicação da Fundação Indígena FSC, pelo e-mail m.donovan@fsc.org 

Termos e Condições

Quem pode participar?

O concurso é especialmente focado em comunicadores, fotógrafos e contadores de histórias (storytellers) de diversos Povos Indígenas ao redor do mundo.

Nós promovemos a não-discriminação e o princípio da intergeracionalidade, por essa razão o concurso não tem limite de idade e encoraja a participação de mulheres e pessoas jovens.

Quais são as categorias?

Inovação e Mudança Climática. Essa categoria está aberta para comunicadores, fotógrafos ou contadores de histórias amadores, de Povos Indígenas de todas as idades. Esse tema inclui:

  • Soluções baseadas na natureza relacionadas com a mudança climática, incêndios florestais, desmatamento, biodiversidade, gestão de recursos hídricos, gestão de territórios, etc.
  • Conhecimento tradicional baseado em soluções inovadoras.
  • Soluções inovadoras baseadas no trabalho de comunidades indígenas na floresta e na conservação da biodiversidade.
  • Soluções inovadoras para combater ou mitigar a mudança climática.
  • Esforços liderados pela comunidade para adaptarem-se ou mitigar a mudança climática.

Florestas e Povos Indígenas. Essa categoria está aberta para comunicadores, fotógrafos ou contadores de história amadores, de Povos Indígenas de todas as idades. Esse tema inclui:

  • Relação dos Povos Indígenas com a natureza.
  • Povos Indígenas e biodiversidade.
  • Conhecimento tradicional para o uso florestal, gestão e conservação.

Juventude Indígena. Essa categoria está aberta para comunicadores, fotógrafos ou contadores de histórias de até 20 anos. Essa categoria inclui fotos de qualquer um dos temas abaixo:

  • Inovação indígena.
  • Povos Indígenas e florestas.
  • Povos Indígenas e soluções climáticas.

Termos do concurso

  • Todas as fotos submetidas devem ser originais.
  • Cada participante pode mandar uma foto por categoria. Each participant is allowed to submit one picture per category.
  • Fotos contendo pessoas reconhecíveis devem ter um consentimento prévio para o uso da imagem, e anexá-lo ao e-mail de cadastro.

Condições do concurso

  • Ao submeter uma imagem, o(a) autor(a)  da foto automaticamente permite que a Fundação Indígena FSC use a imagem em materiais de promoção e comunicação 
  • Fotos de indivíduos que não tenham autorizado o uso da imagem, não serão elegíveis.

Critérios de Elegibilidade

Apenas fotos que cumpram os seguintes requisitos poderão ser elegíveis para competir:

  • Todos participantes devem ser membros de algum Povo Indígena.
  • Todas as fotos devem ser originais.
  • Fotos que já tenham recebido prêmios ou reconhecimentos anteriores ao concurso não são elegíveis. 
  • Na segunda categoria, fotógrafas mulheres, precisam se auto-identificar como mulher. 
  • Na terceira categoria,  para jovens fotógrafos indígenas, é necessário que os fotógrafos tenham 20 anos ou menos. 

Prêmios e reconhecimentos

Nós reconheceremos e premiaremos o trabalho de comunicadores, fotógrafos e contadores de histórias (storytellers). Os primeiros três lugares em cada categoria receberam um reconhecimento econômico e simbólico.

  • Primeriro lugar: $1,000 (mil dólares americanos).
  • Segundo lugar: $600 (seiscentos dólares americanos).
  • Terceiro lugar: $400 (quatrocentos dólares americanos).

Júri

O concurso terá a participação de uma banca especialista composta de fotógrafos Indígenas renomados de todo o mundo, que irão avaliar e selecionar as fotografias vencedoras.

A avaliação levará em conta os seguintes critérios:

  • Cor.
  • Composição.
  • Criatividade.
  • Relevância à categoria escolhida.

Como participar?

To participate iPara participar do concurso, você precisa seguir os seguintes passos:

  • Fazer o download e ler nossos termos e condições.
  • Escolher em qual categoria você quer participar.
  • Selecionar a foto com a qual você quer participar. Por favor lembre que a imagem deve ter uma resolução máxima de
  • Mande-nos um email com a sua foto anexada para fsc.if@fsc.org. O email precisa incluir a seguinte informação:
    • Nome e Sobrenome.
    • Idade
    • País
    • Povo Indígena que pertence.
    • Data e lugar que a foto foi tomada.
    • Pequena descrição da imagem
  • Se sua foto contém o rosto nítido de uma ou mais pessoas, favor adjuntar uma carta de consentimento para o uso da fotografia.

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Identificando os Principais Desafios das Economias Indígenas

A Fundação Indígena FSC convocou um workshop com acadêmicos e especialistas na área de Economias Indígenas

Economias Indígenas abrangem um grande leque de atividades – desde a produção de açaí ou quinoa até empresas de energia ou turismo. Em algumas regiões, as economias são baseadas em sistemas produtivos para consumo próprio, caça e pesca, colheita de folhas, frutas e tudo que a floresta provê para suprir  necessidades básicas. Em outras regiões, os Povos Indígenas desenvolveram modelos de produção sofisticados e estão conectados com mercados em cadeias de valor baseadas em produtos florestais ou em serviços de turismo altamente valorizados pelos mercados internacionais.

Indicadores de economia tradicional e de desenvolvimento social podem não abranger o valor das economias Indígenas, entretanto, as economias Indígenas provêm contribuições preciosas para o meio-ambiente, fazendo-as de vital importância para a humanidade, e provendo não apenas bens essenciais, mas também bens públicos inestimáveis para os mercados internacionais. A Fundação Indígena FSC (FSC-IF) está empenhada em reunir importantes lições a serem aprendidas com as Economias Indígenas.

No dia 20 de setembro de 2021, a FSC-IF convocou um workshop virtual com acadêmicos, pesquisadores e profissionais de desenvolvimento para identificar os principais desafios das Economias Indígenas. O workshop também aproveitou a oportunidade para identificar aqueles interessados em formar parte de um grupo de trabalho em Economias Indígenas – um grupo que irá identificar modelos econômicos Indígenas inovadores e que ajudará a alcançar um dos objetivos do Programa da Aliança dos Povos Indígenas para os Direitos e Desenvolvimento (IPARD). 

Kim Carstensen, Diretor Geral da FSC, Luis Felipe Duchicela, Consultor Sênior em Povos Indígenas na USAID, e Francisco Souza, Diretor Geral da Fundação Indígena FSC abriram o workshop, reiterando o compromisso da FSC, USAID e da Fundação Indígena FSC (FSC-IF) em trabalhar para fortalecer as Economias Indígenas. 

Stephen Cornell, Professor e Presidente do Instituto das Nações Nativas da Universidade do Arizona, fez uma apresentação concluindo que  a otimização da responsabilidade do poder de tomada de decisão dos Povos Indígenas, o investimento nas suas capacidades em governar, e o respeito aos governos autônomos das nações Indígenas e  seus métodos, aumentam as chances de obter  desenvolvimento sustentável, não apenas para os Povos Indígenas mas também para toda a comunidade global.   

“O Desenvolvimento Indígena, é de fato do interesse dos estados mais abrangentes, mas é improvável que aconteça ao menos que seja guiado por preferências e decisões Indígenas,” Cornell concluiu. 

Carmen Albertos, Diretora Especialista em Povos Indígenas e Diversidade pelo Banco de Desenvolvimento Interamericano deu uma apresentação, definindo as Economias Indígenas e enumerando alguns dos desafios ao encará-las, incluindo lacunas de investimento público em territórios Indígenas, abstenção de políticas de ação afirmativa, recursos limitados e capacidade para conduzir negócios lucrativos. 

“O que precisamos é um novo panorama de políticas compreensivas com atividades de ação afirmativas, para criar as condições facilitadoras para que os Povos Indígenas possam triunfar em maior escala e superar uma posição desfavorecida”, observou. 

Posteriormente, os participantes discutiram sobre os principais desafios das Economias Indígenas em pequenos grupos, compartilhando suas diversas experiências na América Latina, Austrália, Canadá, entre outros. 

As diversas experiências dos participantes, no entanto, coincidiram em alguns temas centrais, como na importância em garantir a segurança das terras dos Povos Indígenas e o acesso aos recursos naturais, na necessidade de políticas e programas destinados à promoção de negócios em áreas onde os Povos Indígenas têm uma clara desvantagem competitiva, e na necessidade de capacitação sem destruir a conexão com  culturas tradicionais. 

Os participantes identificaram discriminação, racismo sistemático e falta de reconhecimento de identidades como desafios significativos ao pensar nas Economias Indígenas, assim como fatores logísticos como acesso à finanças e custo de transporte. 

Ao final do workshop, German Huanca, Líder do Programa de Parcerias de Negócios e Economias Indígenas do Programa IPARD, enfatizou a importância de formar um Grupo de Trabalho de Economias Indígenas para avaliar diferentes modelos econômicos. Esses modelos formarão a base para parcerias e empresas que a IPARD irá fortalecer e promover. 

Se você está interessado em participar, mande um e-mail para a.paredes@fsc.org 

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Reunindo perspectivas globais dos Povos Indígenas para contribuir na construção da nova Estratégia Climática da USAID

A FSC-IF e a USAID co-organizaram duas sessões de escuta para que líderes indígenas de todo o mundo pudessem compartilhar suas perspectivas sobre a nova Estratégia Climática da USAID.

No Dia da Terra em 2021, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) anunciou que iria desenvolver uma nova estratégia climática para guiar seus esforços para direcionar estrategicamente recursos para a mudança climática, melhorar os esforços para mitigar e adaptar-se às mudanças climáticas, e integrar ainda mais a questão climática nos programas internacionais de assistência humanitária e de desenvolvimento em todos os setores da Agência. O processo para desenvolver essa estratégia inclui reuniões de escuta para que as diferentes partes interessadas possam compartilhar perspectivas e recomendações. 

Como parte de seu compromisso em levantar as vozes dos Povos Indígenas, a Fundação Indígena FSC (FSC-IF) forneceu apoio ao Centro de Desenvolvimento Inclusivo da USAID na organização e na realização de duas sessões de escuta com representantes globais de Povos Indígenas, nos dias 17 de junho e  23 de Novembro. A primeira sessão reuniu perspectivas sobre as prioridades dos Povos Indígenas e recomendações práticas baseadas nos possíveis impactos das mudanças climáticas nas suas comunidades, paisagens e países. Na segunda sessão foram coletados feedbacks sobre o projeto  estratégico inicial da agência e recomendações para a sua implementação.  

A USAID e a FSC-IF reuniram um Grupo Técnico de Consulta com membros da IUCN, Fundação Ford, Instituto de Recursos Mundiais, Nia Tero e  da Aliança do Clima e Uso da Terra para melhor apoiar o compromisso e a participação dos Povos Indígenas de oito regiões ao redor do mundo. 

Motivados por um esforço de inclusão, cem representantes de organizações de Povos Indígenas foram agrupados em oito regiões – Mesoamericana, Sul-americanos de língua espanhola, Sul-americanos de língua portuguesa, Africanos de língua francesa, Africanos de língua inglesa, Ásia Leste, Ásia Sul, e Pacífico – para melhor incorporar suas perspectivas e visões sobre os desafios da mudança climática e para pensar atividades a serem implementadas. 

Incorporando questões dos Povos Indígenas em ações e resultados programáticos

A FSC-IF reitera e apoia os resultados das sessões de escuta global na importância em reconhecer e valorizar o papel dos Povos Indígenas e de seus conhecimentos tradicionais em todas as soluções e estratégias para promover resiliência, mitigação e adaptação climática. Além disso, nós também apoiamos a posição de que essas comunidades deveriam ser beneficiadas pelos seus esforços na conservação de terras, proteção da natureza, redução da emissão de carbono, e pela contribuição dos seus territórios  e meios de subsistência  nas Contribuições  Nacionalmente Determinadas (NDCs).  Os participantes da sessão de escuta enfatizaram, e a FSC-IF apoia, que programas de financiamento transformacionais inovadores e de longo prazo precisam de investimento direto nos Povos Indígenas a partir de uma estratégia que seja de baixo para cima, incluindo a  participação dos Povos Indígenas  nas fases de design, implementação e gestão. 

Os participantes destacaram a importância da posse de terra, do financiamento direto para Povos Indígenas e comunidades locais, de um processo robusto de Consentimento Livre, Prévio e Informado (FPIC) e da importância em incorporar uma perspectiva de desenvolvimento Indígena na estratégia e nos projetos da USAID. Também houve a recomendação de que as soluções baseadas na natureza sejam expandidas em um conceito mais amplo que inclua soluções baseadas em comunidades, e que a implementação da estratégia climática seja liderada de forma comunitária. 

Compromisso em parcerias com Povos Indígenas em ações climáticas e iniciativas lideradas por Indígenas

Durante a COP26, onde foi anunciada uma ajuda sem precedentes de 1.7 bilhões de dólares  para fornecer apoio direto aos Povos Indígenas e comunidades locais em reconhecimento de seu papel fundamental na proteção de florestas e territórios do Planeta Terra, a USAID lançou um Projeto de Estratégia Climática. A FSC-IF vê a estratégia como uma oportunidade inovadora, uma vez que ela inclui um objetivo intermediário dedicado aos Povos Indígenas e comunidades locais: “Fazer parcerias com Povos Indígenas e comunidades locais para liderar ações climáticas.” 

Com os resultados alcançados nas duas sessões de escuta  realizadas em conjunto com a USAID, a FSC-IF continuará a trabalhar em parceria com organizações de Povos Indígenas para apoiar ainda mais suas capacidades e esforços no desenvolvimento de novas iniciativas lideradas por Povos Indígenas com os objetivos e colaboração em alinhamento com a nova Estratégia Climática da USAID, com objetivos intermediários, e atividades. A Fundação Indígena também vê essas experiências como uma oportunidade de aumentar o engajamento de outros públicos e doadores privados e criar mecanismos inovadores de financiamento alinhados com o compromisso da COP26. 

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