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Os Direitos da Natureza e dos Povos Indígenas: Desafios para o Desenvolvimento Sustentável

A Fundação Indígena FSC participou do “Primeiro Congresso Regional Florestal e de Paisagens Sustentáveis” com o objetivo de construir uma agenda multi-setorial conjunta para combater a crise climática através da gestão sustentável dos bosques e da biodiversidade desde a visão e as necessidades dos Povos Indígenas e das comunidades locais.

Cidade do Panamá, Panamá. Do dia 06 ao dia 08 de abril aconteceu o “Primeiro Congresso Regional Florestal y de Paisagens Sustentáveis” na cidade do Panamá. O evento formou parte de uma estratégia regional para construir uma agenda multi-setorial conjunta para lutar contra a mudança climática, promover a gestão sustentável dos bosques e da biodiversidade, fomentar as soluções inovadoras para conservar a natureza e gerar benefícios para as comunidades indígenas e locais.

Esta iniciativa foi liderada pela Aliança Mesoamericana de Povos e Bosques (AMPB), o Sistema de Integração Centroamericano (SICA), a Comissão Centroamericana de Ambiente e Desenvolvimento (CCAD), e pelo Ministério do Ambiente do Panamá.

O evento contou com o apoio técnico e financeiro da Fundação Indígena FSC (FSC-IF), da  Aliança Global de Povos Indígenas pelos Direitos e pelo Desenvolvimento (IPARD), e outras organizações e agências de cooperação, tais como Rights and Resources Initiative (RRI), Clima, Climate and Land Use Alliance (CLUA), la Fundación Ford, Forest and Farm Facility (FFF), Forest Trends, la Fundación Prisma y Rainforest Foundation US.

Este espaço de diálogo, reflexão e co-criação permitiu determinar os desafios e oportunidades da Mesoamérica com o objetivo de somar esforços para a construção de uma linha de ação que inclua a visão dos Povos Indígenas e das comunidades locais como eixo central das estratégias de conservação dos bosques e biodiversidade, para que os países da região consigam alcançar as metas e compromissos adquiridos nos acordos internacionais. 

O evento contou com vários painéis que permitiram conhecer a realidade mesoamericana, assim como diversas propostas e experiências exitosas.  Este panorama permitiu aprofundar a discussão em torno da importância da participação dos Povos Indígenas e comunidades locais na gestão e conservação dos bosques, da biodiversidade e dos recursos.

  • Primeiro Congresso Regional Florestal e de Paisagens Sustentáveis

    Durante a abertura do evento participaram Levi Sucre, Coordenador da Aliança Mesoamericana de Povos e Bosques (AMPB), Sara Omi, Presidente da Coordenadora de Mulheres Líderes Territoriais de Mesomérica e Victor Francisco Cadavid, Diretor Nacional Florestal do Ministério do Ambiente do Panamá; que reafirmaram a importância do espaço e destacaram o papel dos Povos Indígenas e das Comunidades Locais.

    “Desde os Povos Indígenas e comunidades locais temos muito que contribuir e contribuímos desde ser guardiões dos bosques. Contribuímos no conhecimento de como interagimos e vivemos nos bosques” disse Levi Sucre, coordenador da AMPB

    Por sua parte Sara Omi Sara, afirmou: “As mulheres estamos preocupadas e trabalhamos por vários desafios como a segurança alimentar, o resgate de conhecimentos tradicionais e a transmissão desse conhecimento”. 

    Por outra parte, Francisco Souza, Diretor da Fundação Indígena FSC, destacou a relação dos Povos Indígenas com a natureza e a importância da sua inclusão na implementação de políticas e leis nacionais.

    Neste sentido, Francisco Souza afirmou: “A importância desta discussão sobre os direitos da Mãe natureza é um ponto de partida importante também para pensar os direitos dos Povos Indígenas”.

    Mauricio Mireles, Oficial de Políticas para os Povos Indígenas e Inclusão Social da FAO para a América Latina e o Caribe, abriu a discussão com uma palestra introdutória na qual destacou a contribuição e os desafios das comunidades Indígenas e florestais na proteção dos bosques de Mesoamérica. Na sua exposição enfatizou: “Se entendemos que no conhecimento ancestral há uma eficácia, entendemos porque os povos originários são os principais defensores. Se não apoiamos a proteção que fazem os povos, não podemos esperar que a conservação continue”.

    No primeiro painel se focou em abordar a consulta da política pública para a conservação dos bosques, o desenvolvimento econômico e a adaptação e mitigação da mudança climática. Neste espaço foram expostas as experiências exitosas de algumas organizações da região, a continuação, os detalhes da discussão.

    Marcedonio Cortave, Diretor Executivo da Asociación de Comunidades Forestales de Petén (ACOFOP) destacou as contribuições que realizam as comunidades florestais de Petén na conservação da Reserva da Biosfera Maya, enfatizando na governança comunitária como base da gestão sustentável dos bosques. Durante a sua intervenção, Cortave sustentou: “São as comunidades as que têm mantido os bosques. Por quê? Porque são seus meios de vida. Não podem ser protegidos sem a contribuição dos que habitam essas áreas”. 

    Sagladummad Anibal Sánchez, representante do Congreso General Guna, expôs as conquistas e os desafios do Plano Integral dos Povos Indígenas do Panamá, reafirmando a importância da vinculação dos conhecimentos tradicionais dos Povos Indígenas em diferentes âmbitos, como estratégia para gerar modelos de desenvolvimento sustentáveis que incluam as necessidades e prioridades das comunidades, neste sentido enfatizou: “Há que preservar e divulgar o conhecimento Indígena através da educação, em temáticas de saúde, educação bilingue intercultural e gestão florestal”.

    Por sua parte, Amalia Hernández, Presidente da Federación de Productores Agroforestales de Honduras (FEPROAH), ressaltou a importância de gerar alianças estratégicas para promover a atividade florestal comunitária no seu país, marcando a necessidade de escutar as propostas provenientes das comunidades que se encontram na primeira linha de defesa e ação pela proteção dos bosques. “As comunidades de base somos e sempre temos sido as protetoras dos bosques. Por tanto, seguimos pleiteando para que nos vejam” assinalou.

    O segundo painel do Congresso centralizou-se nos desafios que representam a construção de um mercado florestal justo e o respeito aos direitos das comunidades Indígenas locais. Este espaço contou com a exposição das experiências de organizações do México e de Honduras e do FSC.

    Gustavo Sánchez Valle, Presidente da Red Mexicana de Organizaciones Campesinas Forestales (Red MOCAF), expôs a experiência de governança florestal comunitária no México e sua relação com a madeira legal. Nesse sentido destacou a importância de entablar espaços de diálogo nacionais e internacionais que permitam criar as condições necessárias para legalizar o comércio de madeira legal. “A legalidade da madeira é um tema complexo no qual devem participar diferentes ministérios de um país e deve haver cooperação entre países, pelo que é importante que seja discutido nestes espaços” disse Sánchez Valle.

    Durante a sua exposição, Donaldo Allen, representante da Unidad de la Moskitia (MASTA), destacou a importância da governança florestal comunitária em Honduras assim com a inclusão dos conhecimentos tradicionais em todos os processo, a respeito apontou o seguinte: “No marco do respeito devemos nos enquadrar em uma via dupla: Como organizamos e coordenamos o conhecimento tradicional com o conhecimento acadêmico sem que haja imposição”.

    Este painel contou com a participação de Zandra Martínez, presidente da Junta Diretiva do FSC, que realizou uma contribuição importante como comentarista do painel. Durante a sua intervenção enfatizou que as experiências apresentadas denotam que existem grandes oportunidades para a região. Da mesma forma destacou que o FSC é uma ferramenta de mercado disponível para os Povos Indígenas que tem demonstrado sua efetividade em comunidades da Guatemala e do México.

     

  • A Fundação Indígena FSC e o Programa IPARD como facilitadores na co-criação de soluções inovadoras a longo prazo

    Como parte do trabalho que realiza a Fundação Indígena FSC e o Programa IPARD, para que os Povos Indígenas de todo o mundo possam gerir seus territórios e gerar seus próprios modelos de desenvolvimento se organizou o evento denominado “Os Direitos da Natureza e dos Povos Indígenas: Desafios para o Desenvolvimento Sustentável” no marco do “Primeiro Congresso Regional Florestal e de Paisagens Sustentáveis.”

    “O núcleo e a visão da estratégia para a IPARD é promover a cooperação e a colaboração entre os diferentes setores para apoiar da melhor maneira possível e, de fato, criar ou co-criar soluções a longo prazo junto com e para os Povos Indígenas de todo o mundo”. Francisco Souza, Diretor da Fundação Indígena FSC.

    Conheça mais sobre a IPARD

    O painel que se realizou na quinta-feira 7 de abril aprofundou a discussão sobre os desafios e oportunidades que enfrenta o Panamá para a aplicação da recém aprovada Lei 287 que busca proteger e promover os direitos da natureza. Neste evento se destacou este acontecimento como um primeiro passo para a implementação de normativas e ações necessárias para a conservação que contemplem a visão e as necessidades dos Povos Indígenas e comunidades locais.

    Juan Diego Vásquez, Deputado da Assembléia Nacional do Panamá, quem redatou a proposta da Lei 287, apontou que um dos sucessos dessa lei foi “Incluir algumas normas e convenções específicas para os Povos Indígenas que têm se dedicado desde muitos séculos atrás à proteção e conservação do meio ambiente”. 

    Do mesmo modo, outros especialistas convidados pela Fundação buscaram destacar o valioso papel dos Povos Indígenas e das comunidades locais para que esta inovadora Lei, aprovada pelo Governo do Panamá no passado mês de fevereiro, transforme a realidade do país e se converta no início de uma grande estratégia que aponte a promover o desenvolvimento socioeconômico das comunidades.

    Nas palavras de Victor Cadavid, Diretor Nacional Florestal do Ministério do Ambiente do Panamá, “uma normativa como essa no nosso país é fundamental para apoiar o desenvolvimento socioeconômico em direção ao futuro, poder ter direitos sobre a natureza indicará uma proteção, um resguardo maior que deve nascer definitivamente de uma participação direta das comunidades Indígenas”. 

    Segundo Diwgdi Valiente, Chefe de Sustentabilidade de Turismo do Panamá, é necessário abrir um espaço para conversar, gerir perguntas e gerar respostas que permitam: “construir um guia que identifique boas práticas e as principais problemática” com a finalidade de criar propostas de desenvolvimento econômico para os Povos e Comunidades Indígenas do país.

    Do mesmo modo, Valeria Torres Larranaga, Oficial de Assuntos de Governança (ILPES) / CEPAL, trouxe uma perspectiva sobre a problemáticas, as propostas e perspectivas futuras em relação a esta temática de relevância local, regional e global. Durante a sua intervenção afirmou: “Os Povos Indígenas que têm uma relação estreita com a natureza, têm uma cosmovisão que é essencial para estabelecer medidas de mitigação e adaptação à mudança climática e para atender a realidade da crise climática que enfrentamos na atualidade”. 

    Da mesma forma, Constanza Prieto Figelist, Latin American Legal Lead da Earth Law Center, apontou que o reconhecimento dos direitos da natureza em vários países da região cria vínculos que permitem conectar os direitos humanos com os direitos da natureza. Respeito ao caso específico do Panamá afirma que: “Esta lei estabelece uma ponte entre os direitos humanos e o reconhecimento dos direitos da natureza, pois na América Latina, as constituições normalmente só reconhecem o direito a um ambiente saudável, e abre a porta para o reconhecimento ecológico, ao reconhecimento do valor intrínseco da natureza”.

    Para ter mais informações, te convidamos a assistir o evento completo.

  • Contexto dos Povos Indígenas e os desafios da agenda regional Mesoamericana

    As comunidades Indígenas e locais da Mesoamérica incidem em aproximadamente 50 milhões de hectares de bosques que albergam 8% da biodiversidade do mundo e armazenam 47% das reservas de carbono florestal da região.

    Nesta região existem ao redor de 5 milhões de pessoas que dependem dos bosques.

    Os Povos Indigenas e comunidades locais da Mesoamérica enfrentam diversas pressões e ameaças que colocam em risco suas vidas, e a permanência de bosques vitais para enfrentar a crise climática.

    Uma das principais ameaças é o narcodesmatamento que persegue a Guatemala, Honduras e a Nicarágua. De acordo com vários estudos, este fenômeno gera uma perda de uma média de 15% a 30% da perda de bosques nesses três países. Adicionalmente, nos mesmos países os líderes de comunidades Indígenas e locais são perseguidos, criminalizados e assassinados por defender a Terra desta e de outras ameaças. Segundo o último informe apresentado pela Global Witness, em 2020 foram registrados 42 assassinatos a defensores da natureza e a maior parte deles foram líderes Indígenas e comunitários.

    O mesmo informe afirma que no México, foram documentados 30 ataques letais contra pessoas defensoras da terra e do meio ambiente em 220, registrando um aumento de 67% em relação a 2019. A exploração florestal esteve vinculada a quase um terço destes ataques, e a metade de todos os ataques no país foram dirigidos contra comunidades Indígenas.

    Esta crua realidade aliada à desigualdade estrutural, os efeitos da mudança climática e aos efeitos da crise sanitária colocaram as comunidades Indígenas e locais em um cenário de múltiplas e extremas vulnerabilidades.

    Produto disso, a agenda regional multisetorial apoiada e respaldada pela Fundação Indígena do FSC, o Programa IPARD e outros aliados estratégicos enfrenta desafios que abarcam questões de várias indoles, mas que também apresentam a oportunidade de construir uma linha de ação efetiva que permita co-criar soluções inovadoras desde a visão das comunidades que estão na linha de frente e que ao mesmo tempo gerem benefícios em termos econômicos, ambientais, sociais e culturais para os países, os Povos Indígenas, as comunidades locais e atores do setor privado comprometidos com o desenvolvimento sustentável.

Primeiro Congresso Regional Florestal e de Paisagens Sustentáveis

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Os Dereitos da Natureza e dos Povos Indígenas: Desafios para o Desenvolvimento Sustentável

A Fundação Indígena FSC participou do “Primeiro Congresso Regional Florestal e de Paisagens Sustentáveis” com o objetivo de construir uma agenda multi-setorial conjunta para combater a crise climática através da gestão sustentável dos bosques e da biodiversidade desde a visão e as necessidades dos Povos Indígenas e das comunidades locais.

Cidade do Panamá, Panamá. Do dia 06 ao dia 08 de abril aconteceu o “Primeiro Congresso Regional Florestal y de Paisagens Sustentáveis” na cidade do Panamá. O evento formou parte de uma estratégia regional para construir uma agenda multi-setorial conjunta para lutar contra a mudança climática, promover a gestão sustentável dos bosques e da biodiversidade, fomentar as soluções inovadoras para conservar a natureza e gerar benefícios para as comunidades indígenas e locais.

Esta iniciativa foi liderada pela Aliança Mesoamericana de Povos e Bosques (AMPB), o Sistema de Integração Centroamericano (SICA), a Comissão Centroamericana de Ambiente e Desenvolvimento (CCAD), e pelo Ministério do Ambiente do Panamá.

O evento contou com o apoio técnico e financeiro da Fundação Indígena FSC (FSC-IF), da  Aliança Global de Povos Indígenas pelos Direitos e pelo Desenvolvimento (IPARD), e outras organizações e agências de cooperação, tais como Rights and Resources Initiative (RRI), Clima, Climate and Land Use Alliance (CLUA), la Fundación Ford, Forest and Farm Facility (FFF), Forest Trends, la Fundación Prisma y Rainforest Foundation US.

Este espaço de diálogo, reflexão e co-criação permitiu determinar os desafios e oportunidades da Mesoamérica com o objetivo de somar esforços para a construção de uma linha de ação que inclua a visão dos Povos Indígenas e das comunidades locais como eixo central das estratégias de conservação dos bosques e biodiversidade, para que os países da região consigam alcançar as metas e compromissos adquiridos nos acordos internacionais. 

O evento contou com vários painéis que permitiram conhecer a realidade mesoamericana, assim como diversas propostas e experiências exitosas. Este panorama permitiu aprofundar a discussão em torno da importância da participação dos Povos Indígenas e comunidades locais na gestão e conservação dos bosques, da biodiversidade e dos recursos.

Durante a abertura do evento participaram Levi Sucre, Coordenador da Aliança Mesoamericana de Povos e Bosques (AMPB), Sara Omi, Presidente da Coordenadora de Mulheres Líderes Territoriais de Mesomérica e Victor Francisco Cadavid, Diretor Nacional Florestal do Ministério do Ambiente do Panamá; que reafirmaram a importância do espaço e destacaram o papel dos Povos Indígenas e das Comunidades Locais.

Portait Levi Sucre Coordinator of the Mesoamerican Alliance of People and Forest

” We Indigenous Peoples and local communities have a lot to contribute and we contribute from being guardians of the “Desde os Povos Indígenas e comunidades locais temos muito que contribuir e contribuímos desde ser guardiões dos bosques. Contribuímos no conhecimento de como interagimos e vivemos nos bosques”, disse Levi Sucre, coordenador da AMPB


Portait Sara Omi, President of the Mesoamerican Coordinating Committee of Women Territorial Leaders

Por sua parte Sara Omi Sara, afirmou: “As mulheres estamos preocupadas e trabalhamos por vários desafios como a segurança alimentar, o resgate de conhecimentos tradicionais e a transmissão desse conhecimento”.


Por outra parte, Francisco Souza, Diretor da Fundação Indígena FSC, destacou a relação dos Povos Indígenas com a natureza e a importância da sua inclusão na implementação de políticas e leis nacionais.

Portait Francisco Souza, Director of the FSC Indigenous Foundation

Francisco Souza afirmou: “A importância desta discussão sobre os direitos da Mãe natureza é um ponto de partida importante também para pensar os direitos dos Povos Indígenas”.


Mauricio Mireles, Oficial de Políticas para os Povos Indígenas e Inclusão Social da FAO para a América Latina e o Caribe, abriu a discussão com uma palestra introdutória na qual destacou a contribuição e os desafios das comunidades Indígenas e florestais na proteção dos bosques de Mesoamérica. Na sua exposição enfatizou: “Se entendemos que no conhecimento ancestral há uma eficácia, entendemos porque os povos originários são os principais defensores. Se não apoiamos a proteção que fazem os povos, não podemos esperar que a conservação continue.

No primeiro painel se focou em abordar a consulta da política pública para a conservação dos bosques, o desenvolvimento econômico e a adaptação e mitigação da mudança climática. Neste espaço foram expostas as experiências exitosas de algumas organizações da região, a continuação, os detalhes da discussão.

Marcedonio Cortave, Diretor Executivo da Asociación de Comunidades Forestales de Petén (ACOFOP) destacou as contribuições que realizam as comunidades florestais de Petén na conservação da Reserva da Biosfera Maya, enfatizando na governança comunitária como base da gestão sustentável dos bosques. Durante a sua intervenção, Cortave sustentou: “São as comunidades as que têm mantido os bosques. Por quê? Porque são seus meios de vida. Não podem ser protegidos sem a contribuição dos que habitam essas áreas.”

Sagladummad Anibal Sánchez, representante do Congreso General Guna, expôs as conquistas e os desafios do Plano Integral dos Povos Indígenas do Panamá, reafirmando a importância da vinculação dos conhecimentos tradicionais dos Povos Indígenas em diferentes âmbitos, como estratégia para gerar modelos de desenvolvimento sustentáveis que incluam as necessidades e prioridades das comunidades, neste sentido enfatizou: “Há que preservar e divulgar o conhecimento Indígena através da educação, em temáticas de saúde, educação bilingue intercultural e gestão florestal”.

Amalia Hernández, Presidente da Federación de Productores Agroforestales de Honduras (FEPROAH), ressaltou a importância de gerar alianças estratégicas para promover a atividade florestal comunitária no seu país, marcando a necessidade de escutar as propostas provenientes das comunidades que se encontram na primeira linha de defesa e ação pela proteção dos bosques. “As comunidades de base somos e sempre temos sido as protetoras dos bosques. Por tanto, seguimos pleiteando para que nos vejam”, assinalou.

O segundo painel do Congresso centralizou-se nos desafios que representam a construção de um mercado florestal justo e o respeito aos direitos das comunidades Indígenas locais. Este espaço contou com a exposição das experiências de organizações do México e de Honduras e do FSC.

Gustavo Sánchez Valle, Presidente da Red Mexicana de Organizaciones Campesinas Forestales (Red MOCAF), expôs a experiência de governança florestal comunitária no México e sua relação com a madeira legal. Nesse sentido destacou a importância de entablar espaços de diálogo nacionais e internacionais que permitam criar as condições necessárias para legalizar o comércio de madeira legal. “A legalidade da madeira é um tema complexo no qual devem participar diferentes ministérios de um país e deve haver cooperação entre países, pelo que é importante que seja discutido nestes espaços”, disse Sánchez Valle.

Durante a sua exposição, Donaldo Allen, representante da Unidad de la Moskitia (MASTA), destacou a importância da governança florestal comunitária em Honduras assim com a inclusão dos conhecimentos tradicionais em todos os processo, a respeito apontou o seguinte: “No marco do respeito devemos nos enquadrar em uma via dupla: Como organizamos e coordenamos o conhecimento tradicional com o conhecimento acadêmico sem que haja imposição”.

Este painel contou com a participação de Zandra Martínez, presidente da Junta Diretiva do FSC, que realizou uma contribuição importante como comentarista do painel. Durante a sua intervenção enfatizou que as experiências apresentadas denotam que existem grandes oportunidades para a região. Da mesma forma destacou que o FSC é uma ferramenta de mercado disponível para os Povos Indígenas que tem demonstrado sua efetividade em comunidades da Guatemala e do México.


A Fundação Indígena FSC e o Programa IPARD como facilitadores na co-criação de soluções inovadoras a longo prazo

Como parte do trabalho que realiza a Fundação Indígena FSC e o Programa IPARD, para que os Povos Indígenas de todo o mundo possam gerir seus territórios e gerar seus próprios modelos de desenvolvimento se organizou o evento denominado “Os Direitos da Natureza e dos Povos Indígenas: Desafios para o Desenvolvimento Sustentável” no marco do “Primeiro Congresso Regional Florestal e de Paisagens Sustentáveis”.


“O núcleo e a visão da estratégia para a IPARD é promover a cooperação e a colaboração entre os diferentes setores para apoiar da melhor maneira possível e, de fato, criar ou co-criar soluções a longo prazo junto com e para os Povos Indígenas de todo o mundo”.

Francisco Souza, Diretor da Fundação Indígena FSC.



O painel que se realizou na quinta-feira 7 de abril aprofundou a discussão sobre os desafios e oportunidades que enfrenta o Panamá para a aplicação da recém aprovada Lei 287 que busca proteger e promover os direitos da natureza. Neste evento se destacou este acontecimento como um primeiro passo para a implementação de normativas e ações necessárias para a conservação que contemplem a visão e as necessidades dos Povos Indígenas e comunidades locais.



Juan Diego Vásquez, Deputado da Assembléia Nacional do Panamá, quem redatou a proposta da Lei 287, apontou que um dos sucessos dessa lei foi “Incluir algumas normas e convenções específicas para os Povos Indígenas que têm se dedicado desde muitos séculos atrás à proteção e conservação do meio ambiente.”

Similarly, other experts invited by the Foundation highlighted the valuable role of Indigenous Peoples and local Do mesmo modo, outros especialistas convidados pela Fundação buscaram destacar o valioso papel dos Povos Indígenas e das comunidades locais para que esta inovadora Lei, aprovada pelo Governo do Panamá no passado mês de fevereiro, transforme a realidade do país e se converta no início de uma grande estratégia que aponte a promover o desenvolvimento socioeconômico das comunidades.

Nas palavras de Victor Cadavid, Diretor Nacional Florestal do Ministério do Ambiente do Panamá, “uma normativa como essa no nosso país é fundamental para apoiar o desenvolvimento socioeconômico em direção ao futuro, poder ter direitos sobre a natureza indicará uma proteção, um resguardo maior que deve nascer definitivamente de uma participação direta das comunidades Indígenas.” 

Segundo Diwgdi Valiente, Chefe de Sustentabilidade de Turismo do Panamá, é necessário abrir um espaço para conversar, gerir perguntas e gerar respostas que permitam: “construir um guia que identifique boas práticas e as principais problemática” com a finalidade de criar propostas de desenvolvimento econômico para os Povos e Comunidades Indígenas do país.  

Do mesmo modo, Valeria Torres Larranaga, Oficial de Assuntos de Governança (ILPES) / CEPAL, trouxe uma perspectiva sobre a problemáticas, as propostas e perspectivas futuras em relação a esta temática de relevância local, regional e global. Durante a sua intervenção afirmou: “Os Povos Indígenas que têm uma relação estreita com a natureza, têm uma cosmovisão que é essencial para estabelecer medidas de mitigação e adaptação à mudança climática e para atender a realidade da crise climática que enfrentamos na atualidade.”

Da mesma forma, Constanza Prieto Figelist, Latin American Legal Lead da Earth Law Center, apontou que o reconhecimento dos direitos da natureza em vários países da região cria vínculos que permitem conectar os direitos humanos com os direitos da natureza. Respeito ao caso específico do Panamá afirma que: “Esta lei estabelece uma ponte entre os direitos humanos e o reconhecimento dos direitos da natureza, pois na América Latina, as constituições normalmente só reconhecem o direito a um ambiente saudável, e abre a porta para o reconhecimento ecológico, ao reconhecimento do valor intrínseco da natureza.”

Para ter mais informações, te convidamos a assistir o evento completo.


Contexto dos Povos Indígenas e os desafios da agenda regional Mesoamericana

As comunidades Indígenas e locais da Mesoamérica incidem em aproximadamente 50 milhões de hectares de bosques que albergam 8% da biodiversidade do mundo e armazenam 47% das reservas de carbono florestal da região.


Nesta região existem ao redor de 5 milhões de pessoas que dependem dos bosques.


Os Povos Indigenas e comunidades locais da Mesoamérica enfrentam diversas pressões e ameaças que colocam em risco suas vidas, e a permanência de bosques vitais para enfrentar a crise climática. 

Uma das principais ameaças é o narcodesmatamento que persegue a Guatemala, Honduras e a Nicarágua. De acordo com vários estudos, este fenômeno gera uma perda de uma média de 15% a 30% da perda de bosques nesses três países. Adicionalmente, nos mesmos países os líderes de comunidades Indígenas e locais são perseguidos, criminalizados e assassinados por defender a Terra desta e de outras ameaças. Segundo o último informe apresentado pela Global Witness, em 2020 foram registrados 42 assassinatos a defensores da natureza e a maior parte deles foram líderes Indígenas e comunitários. 

O mesmo informe afirma que no México, foram documentados 30 ataques letais contra pessoas defensoras da terra e do meio ambiente em 220, registrando um aumento de 67% em relação a 2019. A exploração florestal esteve vinculada a quase um terço destes ataques, e a metade de todos os ataques no país foram dirigidos contra comunidades Indígenas. 

Esta crua realidade aliada à desigualdade estrutural, os efeitos da mudança climática e aos efeitos da crise sanitária colocaram as comunidades Indígenas e locais em um cenário de múltiplas e extremas vulnerabilidades. 

Produto disso, a agenda regional multisetorial apoiada e respaldada pela Fundação Indígena do FSC, o Programa IPARD e outros aliados estratégicos enfrenta desafios que abarcam questões de várias indoles, mas que também apresentam a oportunidade de construir uma linha de ação efetiva que permita co-criar soluções inovadoras desde a visão das comunidades que estão na linha de frente e que ao mesmo tempo gerem benefícios em termos econômicos, ambientais, sociais e culturais para os países, os Povos Indígenas, as comunidades locais e atores do setor privado comprometidos com o desenvolvimento sustentável. 

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Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”

Comunicadores e fotógrafos Indígenas de todo o mundo participaram do concurso “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas” com o objetivo de enaltecer as mensagens e as histórias das suas comunidades.

Cidade do Panamá, Panamá. Depois de uma exitosa convocatória global e do árduo trabalho do júri – integrado por seis fotógrafos Indígenas profissionais provenientes do Brasil, México, Malásia, Bolívia, Gabão e Indonésia, apresentamos as fotografias ganhadoras do concurso.

O concurso de fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas” convocou pessoas de comunidades Indígenas de todo o mundo, para que enviassem fotografias originais que apresentem a visão, a história e os conhecimentos dos seus povos.

O júri integrado por Sara Aliaga Ticona (Bolivia), Yannis Davy Guibinga (Gabão), Michael Eko (Indonesia), Luvia Lazo (México), Flanegan Bainon (Malasia) y Priscila Tapajowara (Brasil), selecionou três imagens ganhadoras para cada uma das categorias contempladas nos Términos e Condições do Concurso.

A seleção final de fotografias respondeu a uma série de parâmetros técnicos somados aos critérios de criatividade, pertencimento e coerência com a categoria selecionada.

A continuação detalhamos as fotografias ganhadoras por categoria.

Inovação e Mudança Climática

A fotografia ganhadora do primeiro lugar foi a imagem titulada “The last breath” (O último suspiro) de Kevin Ochieng Onyango do povo Luo do Quênia. 

Um menino do povo Luo do Quênia usando uma máscara de oxigênio conectada a uma planta para representar a importância das florestas diante da crise climática. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: O último suspiro. Autor: Kevin Ocheng

Kevin escreveu: “Esse projeto é simbólico para demonstrar a importância das árvores no nosso ecossistema e o papel que elas desempenham na luta contra a mudança climática. Ao crescer, as árvores ajudam a frear a mudança climática eliminando o dióxido de carbono do ar, armazenando o carbono das árvores e do solo, e liberando oxigênio à atmosfera. Este projeto instiga a mensagem da conservação e fomenta o reflorestamento”. 

O povo Luo está localizado em uma zona que abarca o Sudão do Sul, Etiópia, o norte da Uganda, a zona leste do Congo, o oeste do Quênia e o extremo norte da Tanzânia. 

Os Luo, assim como outros Povos Indígenas do Quênia enfrentam uma série de problemas derivados da crise climática como as secas e as pragas que colocam em perigo os cultivos e a segurança alimentar das comunidades e do país. 


A fotografia intitulada “Pescador Kapanawa” (Pescador Kapanawa) de Patrick Murayari do povo Kukama do Peru foi a ganhadora do segundo lugar.

Jovens indígenas do povo Kapanawa do Peru pescando no rio com canoa e redes tradicionais. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Pescador Kapanawa. Autor: Patrick Murayar

“Ao anoitecer, equipados com “tarrafas” (redes) ou anzóis, os homens da comunidade nativa de Fátima, pertencentes ao Povo Kapanawa, se dirigem à lagoa situada a cinco minutos da comunidade, com o fim de conseguir algum peixe para o jantar. Eles só pescam para o seu próprio consumo. Desse modo, garantem a sustentabilidade deste recurso”, escreveu Patrick.


O povo Kukama está localizado principalmente no departamento amazônico de Loreto no Peru. 

Segundo os dados publicados pela Base de Dados de Povos Indígenas do Peru, desenvolvida pelo Ministério da Cultura, os Kukama possuem uma tradição ancestral de pesca e tem desenvolvido uma série de ferramentas e técnicas específicas derivadas da sua interação com o ecossistema, é por isso que as comunidades Indígenas e não indígenas do setor as denominaram “os grandes pescadores de Loreto”

A fotografia ganhadora do terceiro lugar foi a imagem intitulada  “La esperanza de seguir viviendo” (A esperança em seguir vivendo) de Alcibiades Rodríguez, do povo Guna do Panamá.

Foto aérea de uma das ilhas que compõem o território do povo Guna do Panamá "Guna Yala". 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: A esperança de continuar a viver. 
Autor: Alcibiades Rodríguez

Alcibiades descreveu “A esperança de continuar a viver em um território conservado e tradicional, cheio de legacias e lutas, que permanece contra a mudança climática”.


O povo Guna se encontra na Colômbia e no Panamá. Os Guna são habitantes originários da selva continental, mas há mais de 120 anos migraram para a costa – para fugir da malária e da febre amarela- e fundaram a Comarca Guna Yala no Panamá. 

A comarca abarca uma estreita faixa continental e um arquipélago de 365 ilhas. Pela sua localização os Guna são considerados o povo mais vulnerável aos impactos da mudança climática e da contaminação marítima. 

Segundo dados das Nações Unidas, se considera que os Guna serão o primeiro Povo Indígena deslocado pelo aumento do nível do mar devido ao aquecimento global.


Florestas e Povos Indígenas

A fotografia ganhadora do primeiro lugar foi a imagem intitulada “Abuelo” (Avô) de Venancio Velasco González de San Pablo Yaganiza no México.
A imagem mostra o retrato de um homem no bosque acompanhado do seu cavalo indo plantar uma milpa.

Velho indígena do México na floresta com seu cavalo a caminho de plantar Milpa. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Avô. 
Autor: Venâncio Velasco González

Venancio compartilha a história da fotografia “Quero lhes contar um pouco sobre o meu avô, ele tem 82 anos e dedicou toda a sua vida ao campo. Cada vez que eu lembro dele vem à minha memória uma cena de como ele é. Caminhando pela neblina com o seu cavalo, indo plantar ou colher lenha, dessa vez eu acompanhei ele para plantar “Milpa” e foi inevitável não lembrar de uma parte da minha infância e da primeira vez que eu o acompanhei  ao campo com a mesma paisagem.”


San Pablo Yaganiza é um pequeno povoado situado no Estado de Oaxaca. De acordo com os dados do último censo 99, 64% da população é Indígena e 93,31% dos habitantes fala alguma língua Indígena.

A fotografia intitulada “La danza del venado” (A Dança do veado) de Nazario Tiul Choc do povo Maya Qechi da Guatemala foi a ganhadora do segundo lugar.

Grupo de indígenas da Cooperativa Unión Maya Itza de Guatamela realizando o ritual da Dança do Cervo com roupas tradicionais. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: A Dança do Veado. Autor: Nazario Tiul Choc

Nas palavras de Nazario “A dança do veado, um ritual de caça, tem a sua origem no período clássico Maya. É a representação da guerra entre caçadores e animais selvagens disputando a carne de veado como comida. Performatizado anualmente na Cooperativa Unión Maya Itza em que participam crianças e adultos, essa é a parte da celebração do retorno do México para a Guatemala 27 anos atrás, devido aos problemas de conflito armado na Guatemala.”


A fotografia ganhadora do terceiro lugar foi a imagem intitulada “Dayak Kebhan Children” (Crianças Dayak Kebhan) de Victor Fidelis Sentosa da Indonésia.

A fotografia mostra uma criança da tribu Dayak Kebahatn brincando no rio.  

Criança do povo Dayak Kebhan da Indonésia brincando no rio. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Dayak Kebhan Children. Autor: Victor Fidelis Sentosa

A palavra Dayak ou Dyak é um termo utilizado para distinguir mais de 200 grupos Indígenas que habitam principalmente as zonas costeiras da Malásia, Indonésia e Brunéi. Se bem o termo Dayak foi cunhado durante a colonização, os Povos Indígenas o adotaram como parte dos seus processos de resistência e identidade. Apesar de guardarem o mesmo nome,  cada comunidade tem o seu próprio idioma, território e cultura. Segundo algumas estimativas, existem aproximadamente 450 grupos etnolinguísticos Dayak que vivem em Borneo.

Atualmente, a maior parte dos Dayaks vivem de forma tradicional em pequenas aldeias costeiras e a pesca é a principal atividade econômica e de subsistência. 



Jovens Indígenas

A fotografia ganhadora do primeiro lugar foi a imagem intitulada “Oloburgandiwar” de Aylin Alba do povo Guna do Panamá.

Mulher indígena do povo Guna do Panamá no rio realizando um ritual para se conectar com os espíritos de seus ancestrais. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Oloubingun Tigwar. Autor: Aylin Alba

Aylin compartilha a história atrás da fotografia “Os nossos avós contam que quando nós morremos nós vamos embora através do grande rio, é por isso que como Povos Indígenas sabemos a importância da água, da natureza, uma vez que o nosso burba (espírito) se banhará e navegará no rio para se reunir com os nossos ancestrais.”



A fotografia intitulada “Hijos de la tierra” (Filhos da terra) de Alexander Pérez Ventura do povo Maya Mam da Guatemala foi a ganhadora do segundo lugar.

Jovem indígena do Povo Quiché Maya da Guatemala ao lado de uma fonte de água com oferendas em agradecimento à natureza. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da foto: Filhos da terra. 
Autor: Alexander Pérez Ventura

Alexander descreve a sua fotografia: “Ana Francisca Dominguez pertence ao Povo Maya Quiché da Guatemala.Na sua família todos se dedicam à música ancestral. Com propósitos de agradecimento e bênçãos de tudo que a Mãe Terra os oferece.  Na cultura maya existem quatro elementos que são essenciais para o o ser humano e que ao mesmo tempo são parte deles. Cada elemento tem um coração; água, ar, sol e terra. Sem esses elementos não somos nada, é por isso que nós nos consideramos filhos da terra.


O Povo Quiché agradece pela água, e frequentemente levam presentes às nascentes dos rios. Esses presentes são principalmente: música, flores e velas. No dia 24 de junho cada Povo abençoa o coração da terra pela água”.

A fotografia ganhadora do terceiro lugar foi a imagem intitulada “Pusaka” de Prince Loyd C. Besorio do povo Obu Manuvu das Filipinas.

Jovem indígena da tribo Obu Manuvu da Indonésia segurando um chifre para chamar Pusaka, ela é o espírito da floresta. 
Ganhadores do Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras dos Povos Indígenas”
Nome da fotografia: Pusaka. 
Autor: Príncipe Loyd C. Besorio

Prince escreve “A tribu Obu Manuvu acredita fortemente na cosmologia Pusaka, uma prática tradicional de conservação da biodiversidade onde eles consagram e declaram entidades, vivas e não-vivas como sagradas e invioláveis por causa do seu apego emocional. Nas áreas onde a Águia Filipina e outros animais e árvores Pusaka são encontradas há guardiões específicos que portam cornetas como um meio de se comunicar com outros guardiões da floresta.”


News

Concurso de Fotografia Soluções Inovadoras Indígenas

Nós sabemos que a melhor maneira de defender os direitos e promover soluções criadas pelos Povos Indígenas é possibilitar que os Povos Indígenas comuniquem suas perspectivas, com suas palavras e imagens.

Nós queremos encorajar comunicadores indígenas e fotógrafos a contar suas histórias, as de suas comunidades e culturas através da fotografia.

É por esta razão que hoje estamos lançando o nosso Concurso de Fotografia “Soluções Inovadoras Indígenas”, para aprender mais sobre suas realidades, problemas, propostas e soluções inovadoras para que  defendam seus direitos e possam gerir seus territórios.  que busca conhecer melhor suas realidades, problemas, propostas e soluções inovadoras para defender seus direitos e gerir seus territórios e proteger a Mãe Terra.

A FSC-IF é uma organização global criada pelos e para os Povos Indígenas que busca fornecer soluções de longo-prazo que apoiem as Comunidades Indígenas do mundo.  A nossa missão é de co-criar soluções indígenas baseadas na natureza juntamente com os Povos Indígenas ao redor do mundo. Nós focamos em promover os direitos dos Povos Indígenas, o auto-desenvolvimento holístico e a auto-suficiência. 

Integre a nossa rede de storytellers visuais e participe deste concurso após checar os Termos e Condições.

Para questões e perguntas favor contatar:

Mary Donovan, Representante de Comunicação da Fundação Indígena FSC, pelo e-mail m.donovan@fsc.org 

Termos e Condições

Quem pode participar?

O concurso é especialmente focado em comunicadores, fotógrafos e contadores de histórias (storytellers) de diversos Povos Indígenas ao redor do mundo.

Nós promovemos a não-discriminação e o princípio da intergeracionalidade, por essa razão o concurso não tem limite de idade e encoraja a participação de mulheres e pessoas jovens.

Quais são as categorias?

Inovação e Mudança Climática. Essa categoria está aberta para comunicadores, fotógrafos ou contadores de histórias amadores, de Povos Indígenas de todas as idades. Esse tema inclui:

  • Soluções baseadas na natureza relacionadas com a mudança climática, incêndios florestais, desmatamento, biodiversidade, gestão de recursos hídricos, gestão de territórios, etc.
  • Conhecimento tradicional baseado em soluções inovadoras.
  • Soluções inovadoras baseadas no trabalho de comunidades indígenas na floresta e na conservação da biodiversidade.
  • Soluções inovadoras para combater ou mitigar a mudança climática.
  • Esforços liderados pela comunidade para adaptarem-se ou mitigar a mudança climática.

Florestas e Povos Indígenas. Essa categoria está aberta para comunicadores, fotógrafos ou contadores de história amadores, de Povos Indígenas de todas as idades. Esse tema inclui:

  • Relação dos Povos Indígenas com a natureza.
  • Povos Indígenas e biodiversidade.
  • Conhecimento tradicional para o uso florestal, gestão e conservação.

Juventude Indígena. Essa categoria está aberta para comunicadores, fotógrafos ou contadores de histórias de até 20 anos. Essa categoria inclui fotos de qualquer um dos temas abaixo:

  • Inovação indígena.
  • Povos Indígenas e florestas.
  • Povos Indígenas e soluções climáticas.

Termos do concurso

  • Todas as fotos submetidas devem ser originais.
  • Cada participante pode mandar uma foto por categoria. Each participant is allowed to submit one picture per category.
  • Fotos contendo pessoas reconhecíveis devem ter um consentimento prévio para o uso da imagem, e anexá-lo ao e-mail de cadastro.

Condições do concurso

  • Ao submeter uma imagem, o(a) autor(a)  da foto automaticamente permite que a Fundação Indígena FSC use a imagem em materiais de promoção e comunicação 
  • Fotos de indivíduos que não tenham autorizado o uso da imagem, não serão elegíveis.

Critérios de Elegibilidade

Apenas fotos que cumpram os seguintes requisitos poderão ser elegíveis para competir:

  • Todos participantes devem ser membros de algum Povo Indígena.
  • Todas as fotos devem ser originais.
  • Fotos que já tenham recebido prêmios ou reconhecimentos anteriores ao concurso não são elegíveis. 
  • Na segunda categoria, fotógrafas mulheres, precisam se auto-identificar como mulher. 
  • Na terceira categoria,  para jovens fotógrafos indígenas, é necessário que os fotógrafos tenham 20 anos ou menos. 

Prêmios e reconhecimentos

Nós reconheceremos e premiaremos o trabalho de comunicadores, fotógrafos e contadores de histórias (storytellers). Os primeiros três lugares em cada categoria receberam um reconhecimento econômico e simbólico.

  • Primeriro lugar: $1,000 (mil dólares americanos).
  • Segundo lugar: $600 (seiscentos dólares americanos).
  • Terceiro lugar: $400 (quatrocentos dólares americanos).

Júri

O concurso terá a participação de uma banca especialista composta de fotógrafos Indígenas renomados de todo o mundo, que irão avaliar e selecionar as fotografias vencedoras.

A avaliação levará em conta os seguintes critérios:

  • Cor.
  • Composição.
  • Criatividade.
  • Relevância à categoria escolhida.

Como participar?

To participate iPara participar do concurso, você precisa seguir os seguintes passos:

  • Fazer o download e ler nossos termos e condições.
  • Escolher em qual categoria você quer participar.
  • Selecionar a foto com a qual você quer participar. Por favor lembre que a imagem deve ter uma resolução máxima de
  • Mande-nos um email com a sua foto anexada para fsc.if@fsc.org. O email precisa incluir a seguinte informação:
    • Nome e Sobrenome.
    • Idade
    • País
    • Povo Indígena que pertence.
    • Data e lugar que a foto foi tomada.
    • Pequena descrição da imagem
  • Se sua foto contém o rosto nítido de uma ou mais pessoas, favor adjuntar uma carta de consentimento para o uso da fotografia.

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