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Solicitação de Serviços de Consultoria: Execução de Atividades de Comunicação para a Fundação Indígena FSC

Apoie a implementação da estratégia global de comunicação da FSC-IF

Introdução 
A Fundação Indígena FSC convida pessoas indígenas interessadas e qualificadas a apresentar propostas para uma consultoria na execução de atividades de comunicação. Essa função apoiará a implementação da estratégia global de comunicação da organização por meio da produção de conteúdo, ações de visibilidade e engajamento de partes interessadas. 

📄 Recomendamos revisar atentamente os Termos de Referência completos e baixar o anexo com as Condições Gerais do contrato disponíveis ao final desta publicação. 

🌿 Sobre a Fundação Indígena FSC 
A Fundação Indígena FSC (FSC-IF) é uma organização global sem fins lucrativos criada por e para os Povos Indígenas. Promove o manejo florestal sustentável e a defesa dos direitos coletivos em escala mundial. A FSC-IF trabalha com Povos Indígenas na Ásia, África e América Latina para fomentar a autodeterminação, fortalecer os sistemas de governança e proteger os territórios, integrando o conhecimento tradicional em soluções de desenvolvimento. 

💡 Aviso 
Esta chamada está aberta a pessoas indígenas de todo o mundo. Os candidatos devem ser bilíngues e fluentes em inglês; outros idiomas são considerados um diferencial. Os consultores selecionados também deverão ser flexíveis em seus horários para participar de reuniões online, já que o escritório da Fundação Indígena FSC está localizado na Cidade do Panamá, América Central (fuso horário: UTC-05:00). 


TERMS OF REFERENCE 

Consultancy on Communications Activities Execution 

FSC INDIGENOUS FOUNDATION 

1. CONTRACT CONDITIONS 

Name: Consultancy on Communications Activities Execution – FSC Indigenous Foundation.

Type of consulting: Consulting agreement with payments tied to the deliverables specified in the payments and deliverables section. 

Contract period: October – November 

Location: Remote

Person in charge: Direct reporting to the Head of Communications at the FSC Indigenous Foundation 

2. INFORMATION ABOUT THE FSC INDIGENOUS FOUNDATION 

In 2019, the Forest Stewardship Council (FSC) established the FSC Indigenous Foundation (FSC-IF) as the operational office of the Permanent Indigenous Peoples Committee (PIPC). FSC-IF, a private interest foundation under Panamanian law, exists to secure Indigenous Peoples’ rights and promote sustainable forest-based solutions across 300 million hectares of Indigenous forests. 

We are Indigenous Peoples, guided by ancestral knowledge, practices, values, and respect for Mother Earth. We provide Indigenous-led solutions to global challenges by integrating Indigenous values, rights, livelihoods, ecosystem services, and territories into forest governance, climate change policies, and market systems. 

Our work is guided by Indigenous values: 

  1. Respect for Mother Earth – recognizing our duty as caretakers of lands, waters, and ecosystems for future generations. 
  1. Respect for Ancestral Knowledge – honoring our ancestors by sustainably managing resources and valuing traditional wisdom. 

3. CONTEXT 

Communications play a vital role in amplifying Indigenous voices, raising awareness of Indigenous-led solutions, and strengthening FSC-IF’s presence at global, regional, and local levels. The Communications Unit works to develop and implement culturally appropriate communication strategies, enhance visibility, and promote Indigenous Peoples’ narratives in global dialogues on forests, climate change, and rights. 

The Communications Consultant will provide support to the Head of Communications, ensuring timely content creation, and logistical support for communication products. This role will strengthen the visibility of FSC-IF programs, projects, and initiatives through consistent and culturally sensitive communications. 

4. OBJECTIVES OF THE CONSULTING 

General Objective 
The Communications Consultant will support the FSC-IF Communications Unit in the implementation of the global communication strategy by assisting with content production, visibility actions, and stakeholder engagement. 

Specific Objectives 

  1. Assist with the preparation of communication materials, including a policy brief, and a report. 
  1. Help monitor media mentions, digital trends, and analytics to inform communication efforts. 

5. ACTIVITIES 

The Consultant will assist the head of communications in the following deliverables:  

  1. Policy brief, for use by FSC-IF and FSC PIPC for UNFCCC CoP30  that details the official agenda items of importance to IPLCs, what to expect and how to effectively participate. 
  1. Assist in drafting a communication material: a summarized and concise report. 

6. DELIVERABLES AND PAYMENT METHOD 

Deliverables:

  1. COP30 Policy brief: 4–6 pages, synthesize outcomes & recommendations 
  2. COP30 activities report (summary version): 4-8 pages, a concise COP30 activities report (text-focused, light on design)

6.1. QUOTATION: 

We invite interested parties to submit letters of interest including a quotation of the cost of services based on the outlined deliverables.  Deadline for submission of such will be on September 25th this document “Terms of Reference: Consultancy on Communications Activities Execution for FSC-IF.” Please include the taxes for this work in case it’s necessary. 

6.2. PERIOD: 

The contract will run from October through November; however, it is deliverable-based rather than time-bound. Payment will be issued upon submission and acceptance of the agreed deliverables. 

6.3. PAYMENT METHOD: 

Bank transfer locally and internationally. 

Payments remain tied to the successful submission of deliverables and reports. 

7. MINIMUM REQUIREMENTS AND REQUIRED SKILLS 

  • Bachelor’s degree in communications, journalism, public relations, or a related field. 
  • Minimum 1–2 years of experience in communications, preferably in Indigenous, environmental, or development sectors. 
  • Ideally bilingual: Strong skills in writing, editing, and translating (English and/or Spanish required; proficiency in Indigenous or other languages is an asset). 
  • Strong organizational and coordination skills, with attention to detail. 
  • Ability to work collaboratively in multicultural environments. 
  • Sensitivity and respect for Indigenous Peoples’ rights, values, and perspectives. 
  • Active members of Indigenous Peoples are encouraged to apply. 

8. HOW TO APPLY 

Interested candidates are invited to send their CV, LinkedIn profile link (if any), Quotation, and Motivation Letter to procurement.fscif@fsc.org by September 25th  at 17:00 Panama Time. 

Subject line: Consultancy on Communications Activities Execution  – FSC Indigenous Foundation 

9. INTELLECTUAL PROPERTY RIGHTS 

All materials, content, and outputs produced during this consultancy will remain the property of the FSC Indigenous Foundation. 

10. CONFIDENTIALITY 

The consultant agrees to maintain confidentiality of all information and materials obtained during the consultancy and not to disclose them without prior authorization from FSC-IF. 

11. CONFLICT OF INTERESTS 

Any potential conflict of interest must be disclosed to FSC-IF management, which will determine appropriate measures to resolve it. 

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Fórum Remediação do FSC em Jakarta: Reflexões sobre o equilíbrio sagrado entre as florestas e as pessoas

A Unidade de Integridade do Sistema FSC realizou o Fórum de Remediação da Ásia-Pacífico em Jakarta, reunindo diversas partes interessadas para promover a compreensão do Marco de Remediação do FSC

A Unidade de Integridade do Sistema do Forest Stewardship Council (FSC) – organizou o Fórum Remediação da Ásia-Pacífico em Jakarta, Indonésia, reunindo detentores de direitos, líderes indígenas, ONGs, empresas, pesquisadores e representantes governamentais para aprofundar a compreensão e o envolvimento em torno da Estrutura Remediação do FSC. 

O que é a Estrutura de Remediação do FSC?

A Estrutura de Remediação do FSC é um sistema padronizado que orienta como as empresas devem lidar com danos ambientais e sociais passados relacionados à conversão florestal. 

Ele promove a restauração por meio de remediação social e ambiental, garante a transparência na forma como o FSC lida com empresas não conformes e fornece roteiros justos para a remediação. Seu objetivo final é restaurar florestas e comunidades, melhorar a integridade do esquema de certificação FSC e estabelecer condições mensuráveis para potencialmente encerrar a desassociação e reconstruir a confiança. 

Um novo capítulo para a reparação

Desde sua entrada em vigor em 1º de julho de 2023, a Estrutura de Remediação do FSC tem como objetivo abordar os danos sociais e ambientais resultantes das operações florestais. A Indonésia, como cenário piloto para implementação, forneceu um estudo de caso vital sobre oportunidades e desafios. O fórum de Jakarta serviu não apenas como uma plataforma para consulta, mas também como um espaço para cura, diálogo e reconciliação, destacando o potencial positivo da reparação para restaurar ecossistemas florestais, proteger a biodiversidade e proporcionar reparação às comunidades afetadas. 

Vozes do fórum

Representando a Fundação Indígena do FSC, Nicholas Mujah (membro do Conselho do FSC-IF), Praful Lakra ( -presidente do Comitê Permanente dos Povos Indígenas do FSC PIPC, região da Ásia), Minnie Degawan (diretora-geral da FSC-IF) e Dian Intarini (gerente global dos povos indígenas para silvicultura e certificação) participaram ativamente do Fórum de Remediação de Jakarta, trazendo diversas perspectivas de liderança, governança e envolvimento comunitário.  

Durante o fórum, os participantes expressaram que, se os direitos forem mal interpretados, ignorados ou apenas reconhecidos superficialmente, as soluções correm o risco de se tornar meramente simbólicas e podem reproduzir danos em vez de repará-los. Nicholas ressaltou esse ponto, lembrando aos participantes como é fundamental compreender os direitos dos detentores de direitos dentro do sistema de Manejo Florestal.  

 Além disso, Praful compartilhou insights de sua região, a Índia, enfatizando a necessidade de integrar o conhecimento indígena ao processo e tirando lições da reparação da mineração na região. Como copresidente do Comitê Permanente dos Povos Indígenas (PIPC), a participação de Praful teve um significado especial. Juntamente com Marchus Colchester (Conselho de Administração do FSC e contato do PIPC), que também participou do fórum, a presença deles destacou a importância de garantir que as perspectivas indígenas sejam consistentemente ouvidas nos processos do FSC. A representação do PIPC no evento criou um espaço valioso para o diálogo, o compartilhamento de conhecimento e a reflexão, que podem ajudar a fortalecer a tomada de decisões em nível global. 

Da esquerda para a direita: Praful Lakra (copresidente do PIPC, região da Ásia), Marchus Colchester (Conselho Administrativo do FSC), Nicholas Mujah (membro do Conselho FSC-IF), Dian Intarini (Gerente Global de Povos Indígenas para Silvicultura e Certificação) 
 
Da esquerda para a direita: Isnadi, de Riau, Kuspawansyah, de Kalimantan Oriental, Nicholas Mujah (membro do Conselho do FSC-IF) e Minnie Degawan (Diretora Administrativa do FSC-IF) 

Além disso, Minnie lembrou aos participantes que, para os povos indígenas, a solução não é uma lista de consultas ou atividades, mas sim restaurar o equilíbrio e salvaguardar as relações: com a terra, as comunidades e o invisível. 

“As florestas são nossos parentes”, disse ela. “São os locais de descanso de nossos ancestrais, onde enterramos os cordões umbilicais de nossos filhos para conectá-los à Mãe Terra. Sustentar a floresta é sustentar a Terra e a comunidade. Para nós, reparação significa restaurar esse equilíbrio sagrado.” 

Minnie enfatizou a necessidade de uma comunicação mais clara sobre o que é e o que não é a Estrutura de Remediação. Ela enfatizou que, sem essa clareza, as comunidades correm o risco de ter falsas expectativas e sofrer mais danos.  

No centro de sua mensagem estava o apelo para reformular o Consentimento Livre, Prévio e Informado (FPIC) como um processo de construção de relacionamentos, em vez de uma etapa processual, lembrando aos participantes que o consentimento está enraizado na confiança, na equidade e no entendimento mútuo.  

Por fim, Dian Intarini sugeriu que as ações de reparação devem estar alinhadas com as políticas nacionais de empoderamento comunitário e direitos à terra, por exemplo, a Lei das Aldeias da Indonésia, para apoiar a sustentabilidade a longo prazo dessas ações. 

Observações principais

Ao longo de três dias, a agenda passou da exploração de soluções para acelerar as remediações, para apresentações sobre a cura social e cultural em conflitos não resolvidos, até uma reunião fechada com os detentores de direitos refletindo sobre suas preocupações e expectativas.  

O fórum conseguiu promover um diálogo aberto e construtivo, embora também tenha revelado uma desconexão na forma como as partes interessadas entendiam a estrutura e destacado tensões entre os povos indígenas e as comunidades migrantes/transmigrantes que exigem abordagens sensíveis. Em meio a essa dinâmica, a Fundação Indígena FSC emergiu como uma facilitadora neutra e confiável, disposta a apoiar continuamente o processo. 

Olhando para o futuro 

À medida que a Estrutura de Remediação do FSC continua a tomar forma, as lições do fórum de Jakarta nos lembram que a remediação deve ser intencional, inclusiva e enraizada no respeito pelos direitos e visões de mundo dos povos indígenas.  

O trabalho que temos pela frente não será fácil, mas, como Minnie enfatizou: “Sobrevivemos ao genocídio e à colonização agindo de forma ponderada e cuidadosa. Não vamos nos apressar, mas garantir que a reparação realmente cure”. 

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Cultivando um futuro: a jornada de Daniel Maches e Jaymar Garcia rumo à sustentabilidade econômica com base no conhecimento indígena

Como dois jovens indígenas estão cultivando cultura e sustentabilidade

As florestas regulam nosso clima, limpam o ar que respiramos e sustentam a biodiversidade que torna a vida possível. No entanto, todos os anos, mais de 12 milhões de hectares de florestas são perdidos devido a práticas destrutivas.  

A Fundação Indígena FSC (FSC-IF), em conjunto com o Forest Stewardship Council (FSC), trabalha ao lado dos povos indígenas para proteger as florestas e fortalecer as soluções naturais lideradas por indígenas. No centro dessa visão estão jovens indígenas como Daniel e Jaymar, que estão levando a sabedoria ancestral para o futuro. 

Como dois jovens indígenas estão cultivando cultura e sustentabilidade

Nas encostas arborizadas de Benguet, nas Filipinas, dois jovens empreendedores indígenas estão provando que os negócios podem ser um ato de preservação cultural e gestão ambiental. Daniel Jason Maches, da tribo ILias, e Jaymar Garcia, das tribos Kankanaey e Kalanguya, cofundaram a Banolmi Store PH para divulgar o café cultivado na floresta e a culinária tradicional enraizada no conhecimento ancestral. 

Para Daniel e Jaymar, o empreendedorismo não se resume ao lucro, mas ao valor. Em sua língua, Banolmi significa “nosso valor”, simbolizando a herança das montanhas, rios, terraços de arroz e florestas transmitida por seus ancestrais. “Nossas florestas são vida”, explica Daniel. “Elas nos dão água, alimento e identidade. Protegê-las não é apenas sobrevivência: é honrar nossos ancestrais.” 

Seu trabalho desafia o domínio das indústrias extrativas, oferecendo meios de subsistência sustentáveis que restauram a biodiversidade em vez de esgotá-la. Por meio da agricultura agroecológica, eles estão revivendo variedades tradicionais de arroz e sementes nativas, criando um banco de sementes para o futuro e transformando o cultivo de café em uma ferramenta de conservação. Jaymar reflete: “A comida é cultura. Quando salvamos nossa culinária indígena, também salvamos as espécies nativas que sustentam nosso povo”. 

Além da agricultura, a Banolmi Store PH se tornou um banco de sementes da memória cultural, preservando sabores e práticas que correm o risco de se perder. O impacto se estende à comunidade: as famílias agora veem o café e os alimentos nativos como fontes sustentáveis de renda, enquanto a culinária tradicional está ganhando novo reconhecimento como identidade cultural e ferramenta para a conservação da biodiversidade. 

A jornada não foi isenta de riscos. Desde lidar com as obrigações familiares até enfrentar a rotulação como comunistas durante sua defesa, Daniel e Jaymar demonstraram liderança com coragem, encontrando maneiras não confrontadoras de defender suas florestas enquanto construíam a confiança da comunidade.  

Olhando para o futuro, o sonho de Daniel e Jaymar

Esses empreendedores indígenas sonham em expandir a Banolmi para um modelo que possa ser replicado em outras comunidades, mostrando que os empreendimentos liderados por indígenas são viáveis e transformadores. Eles imaginam não apenas fazendas de café, mas sistemas agroflorestais completos que fornecem alimentos, restauram florestas e sustentam tradições culturais.  

Para isso, eles esperam construir parcerias com organizações, empresas e indivíduos que compartilhem sua visão e colaboradores que possam ajudar a abrir mercados, fornecer recursos e amplificar sua mensagem. “Nosso objetivo é mostrar que os alimentos e produtos indígenas não são apenas patrimônio, eles são o futuro”, diz Jaymar.  

Neste Dia Mundial do Empreendedor, a história de Daniel e Jaymar nos lembra que o conhecimento indígena é inovação. O empreendimento deles não está apenas produzindo café: está cultivando um futuro onde cultura, comunidade e conservação prosperam juntas. 

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Povos Indígenas e Inteligência Artificial: Defendendo Direitos por meio de Princípios de Respeito e Consentimento

Neste Dia dos Povos Indígenas, destacamos como o respeito e o consentimento devem orientar tanto o envolvimento quanto o uso ético da inteligência artificial.

Hoje, 9 de agosto, o mundo se une para celebrar o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Das florestas tropicais da América Latina às savanas da África, das ilhas da Ásia às montanhas da Oceania e às tundras do Ártico, os povos indígenas continuam a proteger a biodiversidade mundial, salvaguardar o conhecimento tradicional e defender culturas enraizadas em uma profunda conexão com a terra. 

Os povos indígenas cultivam uma extraordinária variedade de tradições vivas, desde práticas e habilidades até sistemas de conhecimento e expressões que incorporam valores de respeito, cuidado e reciprocidade com a natureza. Essas tradições também fortalecem a compreensão das diversas visões de mundo e sistemas de valores que orientam as relações dos povos indígenas com o mundo natural. 

Hijos de la Tierra, Concurso de fotografia, 2023

Ao praticar e transmitir esse patrimônio, as comunidades indígenas mantêm sua vitalidade, resiliência e bem-estar coletivo. 

O Dia dos Povos Indígenas é mais importante hoje do que em qualquer outro momento da história, porque os desafios que enfrentamos — mudanças climáticas, perda de biodiversidade e o rápido avanço das novas tecnologias — exigem a sabedoria, a liderança e os direitos dos povos indígenas no centro das soluções globais. 

Os povos indígenas e as comunidades locais protegem pelo menos metade das terras do mundo, que abrigam a maior parte da sua biodiversidade. O seu património vivo — conhecimentos, práticas e valores enraizados no respeito, na gestão e na reciprocidade com a natureza — oferece caminhos comprovados para enfrentar as crises climáticas e ecológicas atuais. Quando as florestas estão ameaçadas, quando as espécies estão a desaparecer e quando os impactos climáticos se intensificam, os povos indígenas erguem-se como guardiões do equilíbrio entre a humanidade e o mundo natural. 

Pusaka, Concurso de fotografia, 2023 

Engajamento autêntico e consentimento livre, prévio e informado

Este dia também nos lembra os princípios que devem guiar nossas ações ao nos envolvermos com nossos irmãos e irmãs indígenas: respeito, autêntico e pleno o e consentimento livre, prévio e informado. Assim como os povos indígenas decidem como seu conhecimento e cultura são compartilhados, o mundo também deve garantir que as ferramentas emergentes, como a inteligência artificial, sejam usadas de forma ética — amplificando as vozes indígenas em vez de se apropriar delas.

Nossa diretora administrativa, Minnie Degawan, compartilhou suas ideias sobre os princípios do envolvimento com os povos indígenas em um webinar com a Asia Pacific Resources International Limited (APRIL). Ela nos lembra que o verdadeiro envolvimento com os povos indígenas deve ser construído com base no respeito, na confiança e no consentimento. Entrar nos territórios indígenas é entrar na casa de alguém

Minnie Degawan, Diretora Executiva da Fundação Indígena FSC

O engajamento autêntico requer escuta, cocriação e colaboração — não consultas pontuais, mas relacionamentos contínuos baseados na dignidade. Para o setor privado, isso significa construir confiança que leve a parcerias de longo prazo, licença social para operar e resultados mais sustentáveis. Para os governos, isso fortalece a legitimidade, garante que as políticas sejam culturalmente adequadas e apoia ações eficazes em prol do clima e da biodiversidade. Em ambos os casos, a construção de relacionamentos não é apenas respeitosa — é essencial para um impacto duradouro.

O consentimento não é uma lista de verificação. É um diálogo vivo — um espectro que varia de “Não” a “Talvez”, “Sim, se” e “Sim”; sempre moldado pelas tradições culturais e pelas vozes da comunidade. Uma forma de as comunidades expressarem isso é através da arte e da fotografia: escolhendo quais histórias compartilhar, como compartilhá-las e com quem.

ENGITOK — a mulher Maasai, concurso de fotografia, 2023

Soberania dos dados indígenas: um apelo global por tecnologia ética

Assim como as fotografias exigem consentimento e respeito, o mesmo deve acontecer com o uso de novas tecnologias, como a inteligência artificial. Os povos indígenas devem manter o controle sobre seus conhecimentos, imagens e vozes, e sobre como e quando estes são usados. A tecnologia deve ampliar a autorrepresentação indígena, não se apropriar dela.

Um exemplo poderoso vem de Aotearoa (Nova Zelândia), onde líderes maoris estão moldando o debate sobre inteligência artificial. Na Cúpula de Inteligência Artificial de Aotearoa 2023, especialistas como a Dra. Karaitiana Taiuru, Elle Archer e Moka Apiti enfatizaram que os dados maoris devem ser tratados como taonga — um tesouro protegido pelo Te Tiriti o Waitangi (o Tratado de Waitangi). Eles nos lembraram que o envolvimento com as comunidades indígenas no desenvolvimento da IA requer a construção de relacionamentos, compromisso de longo prazo e respeito pelos protocolos culturais, desde a pronúncia correta dos nomes até o envolvimento das comunidades desde o início. A mensagem deles foi clara: a IA não deve ser uma ferramenta de extração, mas um meio de ampliar a sabedoria coletiva, salvaguardar o patrimônio cultural e defender a soberania dos dados indígenas. Essa visão ecoa os princípios de engajamento — respeito, confiança e reciprocidade — que são essenciais para todos os povos indígenas em todo o mundo. (Laboratório de Cultura e Design, 2023)1 

Durante o webinar virtual do Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo de 2025, Povos Indígenas e IA: Defendendo Direitos, Moldando Futuros, organizado pelo Departamento de Desenvolvimento dos Povos Indígenas, do Secretariado do Fórum Permanente para as Questões Indígenas, vozes poderosas de painelistas indígenas ecoaram uma mensagem clara: a inteligência artificial deve ser ética, inclusiva e baseada nos direitos indígenas. 

Como afirmou Aluki Kotierk, líder inuk e presidente do Fórum Permanente para as Questões Indígenas: “Sem salvaguardas, a IA corre o risco de se tornar uma nova forma de colonização, codificada em algoritmos que moldam nossas vidas. Para garantir que a IA sirva aos povos indígenas, devemos adotar uma abordagem baseada em direitos. Os povos indígenas devem orientar o desenvolvimento da IA, e a governança dos dados é essencial.”

Durante o webinar, a palestrante Danielle Boyer, uma jovem inventora de robótica indígena Ojibwe, expressou: “As pessoas muitas vezes esquecem que nós, como povos indígenas, sempre fomos inventores, cientistas e engenheiros. Nossos jovens são brilhantes — meus alunos estão criando aplicativos, fundando organizações, projetando robôs e construindo soluções. Eles já têm as ferramentas de que precisamos para moldar o futuro.”  Danielle explicou que o que falta são oportunidades — como a capacidade de falar diretamente com grandes corporações e preencher a lacuna entre elas e as comunidades indígenas.  

Considerações finais: 

Neste Dia dos Povos Indígenas, somos lembrados de que respeito, confiança e consentimento são a base do engajamento ético. Seja na ação climática, na conservação da biodiversidade ou na inteligência artificial, os povos indígenas devem permanecer no centro como detentores de direitos e líderes, especialmente os jovens indígenas, pois são essenciais para este futuro — trazendo inovação, conhecimento e compromisso para suas comunidades. 

Agora é o momento de defender, apoiar e compartilhar — para que as vozes indígenas liderem o caminho a seguir.

Fonte: 

  1. Culture & Design Lab (2023). Engaging with Māori in Artificial Intelligence. Culture & Design Lab. 

https://cultureanddesignlab.com/blog/article-145901

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